Vade retro franciscana
Imagem retirada daqui.
Eu já te tossi.
Eu já te espirrei.
Eu já te gritei.
Eu já te cuspi.
Eu já te escarrei.
Eu já te joguei contra a parede.
Eu já me limpei com papéis, lenços, banho.
Eu já te suei.
Eu já te urinei.
Eu já te defequei.
Eu já te vomitei.
Eu já te sangrei.
Eu já te chorei.
Eu já me feri.
Mas não importa o quanto
O quanto te tussa
O quanto te espirre
O quanto te grite
O quanto te cuspa e escarra
O quanto te jogue contra tudo
O quanto me limpe com tudo que tenho alcance
O quanto sue
O quanto urine
O quanto defeque
O quanto vomite
O quanto sangre
O quanto chore
Talvez, não importe nem o quanto me fira...
Tu não sais de mim.
Não, não é amor;
Não sofro por querer me livrar de ti.
Sofro por não consegui-lo.
Pela boca escapa tudo aquilo
De que o coração está cheio.
O quão fundo penetraste em meu peito
E de quanta treva preencheste minha alma?
Em verdade te digo; amaldiçoaste-me
E mesmo que eu tenha te escapado
Ainda hoje me persegues.
Não me tentes.
Não mais.
Hoje, livre de ti, não desejo saber
Não desejo saber até onde posso ir
Em nome da vingança.
Se eu tiver que afundar por tua causa
Por tua causa!
Se quiseres tanto assim me possuir,
Continuar com tuas violações continuadas
Terei certeza de levar o quanto puder de ti
O quanto couber em mim
Para o inferno onde cair.
(Pois se me assombras em vida,
Que diferença faz dançarmos juntos para o diabo?)
Não me importo em não conseguir destruir-te.
Porque reconheço ser menor que tu
Em tamanho, em história, em aplausos
Em vergonha, em indecência,
Em canalhice, em imundície.
E em ódio.
Não preciso te matar
Vingo-me em te morrer.


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